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Exú não tinha riqueza, não tinha fazenda, não tinha rio e nem profissão. Exú vagabundeava pelo mundo sem paradeiro, então um dia passou a ir à casa de Oxalá. Na casa se distraia vendo o velho fabricando os seres humanos, outros também vinham visitar Oxalá, mas ali pouco ficavam, quatro dias, oito dias e nada aprendiam, traziam oferendas, olhavam o velho Orixá, apreciavam sua obra e partiam.

Exú ficou na casa de Oxalá dezesseis anos, prestava muita atenção na modelagem e aprendeu como Oxalá fabricava as mãos, os pés, a boca, os olhos, o pênis dos homens e as mãos, os pés, a boca, os olhos e a vagina das mulheres. Durante esse tempo Exú ficou ajudando o velho Orixá. Ele não perguntava, só observava, prestava atenção e aprendeu tudo.

Um dia Oxalá disse a Exú para ir postar-se na encruzilhada por onde passava os que vinham à sua casa visitar e não deixar passar quem não trouxesse uma oferenda. Cada vez havia mais humanos para Oxalá fazer, não queria perde tempo recolhendo os presentes que todos lhe ofereciam e nem tinha tempo para visitas. Exú tinha aprendido tudo e agora podia ajudar Oxalá, ele coletava os ebós, recebia as oferendas e as entregava a Oxalá, Exú fazia bem o seu trabalho.

Exú era o mais jovem dos Orixás, assim devia referência a todos eles, sendo sempre o último a ser cumprimentado, mas ele almejava a senhoridade desejando ser homenageado pelos mais velhos, para conseguir seu intento foi consultar o Babalaô. Foi dito a Exú que fizesse um sacrifício, deveria oferecer três ecodidés, que são penas de papagaio vermelho, três galos de crista gorda, quinze búzios, azeite-de-dendê emariô e uma folha nova de palmeira, foi feito o ebó e o adivinho disse a ele para pegar um dos ecodidés e usá-lo na cabeça, amarrando na testa. E assim não poderia, por três meses, carregar na cabeça o que quer que fosse. Olodumaré disse então que queria ver todos os Orixás, queria saber se eles estavam dando conta na terra, das missões que Olodumaré a eles atribuíra, Exú foi buscar os Orixás .

Exú era o filho caçula de Iemanjá e Orunmilá, irmão de Ogum, Xangô e Oxossi. Exú comia tudo e sua fome era incontrolável, comeu todos os animais da aldeia, em que vivia, comeu os de quatro patas e os de penas, bebeu toda a cerveja, toda aguardente e todo vinho, ingeriu todo azeite-de-dendê e todos os obis, quanto mais comia, mais fome sentia. Primeiro comeu tudo de que mais gostava, depois começou a devorar as árvores, os pastos e já ameaçava engolir o mar. Isso deixou Orunmilá furioso, percebendo que Exú não pararia e acabaria por comer até mesmo o céu, então Orunmilá pediu a Ogum que detivesse o irmão a todo custo, para preservar a terra, os seres humanos e os próprios Orixás, assim Ogum teve que matar o próprio irmão.

Dia: Segunda-feira

Comida: Farofa de azeite, galo e bode

Cor: Vermelho e Preto

Saudação: Laroê Exú

 
 
 
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