Oiá desejava ter filhos, mas não podia conceber, então ela foi consultar um Babalaô e ele mandou que ela fizesse um ebó. Ela deveria oferecer um carneiro, um agutã, muitos búzios e muitas roupas coloridas, Oiá fez o sacrifício e teve nove filhos. Quando ela passava indo ao mercado, o povo dizia: “Lá vai Inhansã!!!”, “ Lá ia Inhansã!!!”, que quer dizer mãe de nove filhos e lá ia ela orgulhosa ao mercado vender azeite-de-dendê. Depois de sacrificar um carneiro, em sinal de respeito, por ter o seu pedido atendido, ela nunca mais comeu carneiro.

Um rei tinha uma filha chamada Alá e queria casá-la com um príncipe poderoso, no entanto, a princesa tinha um amante e esperava um filho dele. Sabendo do fato, o rei resolveu matá-la numa barca, levou a princesa até o meio do rio, onde viva Oxum, e a jogou na água. O rei tinha um papagaio que o acompanhava, presenciando toda a cena. Tempo depois, alguns pescadores viram uma caixa boiando no rio, foram ver de perto e dentro havia uma criança, assustados e temerosos com que viam, abandonaram a caixa na margem do rio. Pelo mesmo lugar passava outra embarcação e seus ocupantes foram atraídos pelo choro de uma criança, recolheram a criança e a levaram como presente ao rei, o rei ficou feliz com o presente e resolveu apresentar a criança como sendo sua filha ao povo. Ele sentia falta da filha que afogara e sentia-se sozinho, deu uma festa para apresentar a nova filha que adotava, quando todos estavam reunidos, o papagaio contou-lhes acerca de tudo o que tinha sucedido, disse que a menina havia nascido na casa de Oxum, portanto deveria devolvê-la ao rio. O rei então se deu conta de que a menina era sua neta e devolveu-a ao rio onde nascera.A criança cresceu protegida por oxum e essa menina era Oiá.

Inhansã tinha muitas jóias, que usava com orgulho, certa ocasião resolveu sair de casa, mas foi interpelada por seus pais, que lhe disseram ser perigoso sair com tantas jóias e a impediram de satisfazer seu desejo. Oiá furiosa entregou suas jóias a Oxum e fugiu voando rápida pelo teto da casa, arrasando tudo o que atravessasse seu caminho, Oiá tinha se transformado no vento. Oiá foi aconselhada a prosseguir sua jornada ao lado de seu marido Xangô, enquanto amasse esse homem não deveria retornar a Irá, sua terra natal, onde vivia sua família. Dividida sentimentalmente, Oiá não seguiu as recomendações e voltou a Irá, recebendo a notícia da morte de Xangô , sentido grande tristeza pelo ocorrido, usou seus poderes sobrenaturais e transformou-se em um rio, Odô Oiá, o rio Níger.

Um dia Oiá fugiu aos olhos de Xangô, que saiu em sua busca mata adentro, Oiá não sabia mais onde se esconder, temia que ele lhe encontrasse. Em fuga, encontrou Exú e pediu-lhe que fizesse um encanto, ele aconselhou-a ficar junto ao mar e voltar-se sobre si mesma, fazendo a magia, quando Xangô passou por ela não a viu, Exú a transformou em um coral.

Oiá era uma mulher muito desejada, além de bela, sedutora e guerreira preparava deliciosos acarajés como ninguém. Um dia Xangô a raptou da casa de ogum voltando de uma caçada, Ogum ficou ciente do ocorrido e mandou uma mensagem dizendo que iria buscar sua mulher. Começava a rivalidade pela conquista de Oiá, os dois prepararam-se para o litígio, cada um consultou Ifá e fez as oferendas necessárias, ambos colocaram as oferendas numa estrada. Ogum ofereceu inhames e farofa e Xangô ofereceu amalás e orobôs, Ogum apresentou com sete escravos e Xangô com doze, Ogum não se amedrontou e ambos partiram para luta, antes comeram das comidas oferecidas. Começaram a lutar e nunca mais pararam, até hoje dessa guerra muitas aventuras são contadas, nessa luta Oiá ganhou de Ogum uma espada e nunca mais deixou de ser uma guerreira e amante, sendo sempre disputada por Xangô e Ogum , ambos seus amados.

Vivia em terras de Queto um caçador chamado Odulecê, ele era líder de todos os caçadores. Tomou como sua filha uma menina nascida em Irá, que por seus modos espertos e ligeiros era conhecida por Oiá, ela tornou-se logo a predileta do velho caçador, conquistando um lugar de destaque naquele povoado. Mas um dia a morte levou Odulecê, deixando a Oiá muito triste, ela pensou em uma forma de homenagear o seu pai adotivo, reuniu todos os instrumentos de caça dele e enrolou-os num pano, também preparou todas as iguarias que tanto gostava de saborear, dançou por sete dias, espalhando por toda parte com seu vento, fazendo com que reunissem no local todos os caçadores, Oiá embrenhou-se mata adentro e depositou ao pé de uma árvore sagrada os pertences de Odulecê. Olorum, que tudo via, emocionou-se com o gesto de Oiá e deu-lhe o poder de ser a guia dos mortos no caminho do Orum, tranformou Odulecê em orixá e Oiá a mãe dos espaços dos espíritos, desde então todo aquele que morre, tem seu espírito levado ao Orum por Oiá, porém antes, deve ser homenageado por seus entes queridos, em uma festa com comidas, cantos e danças, nasceu assim o funerário ritual Axexê.

Dia: quarta feira

Comida: acará

Cor: vermelha

Saudação: Reparriê
 
 
 
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