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As mãe-de-santo e os pai-de-santo do candomblé são governantes vitalícios e absolutos de seus terreiros. Dirigem com mão de ferro a vida espiritual de seus filhos e filhas-de-santo e administram a casa-de-santo como patrimônio pessoal. A mãe-de-santo é rainha em seu terreiro; não existe autoridade acima dela. Sua morte abre todo um período de conflitos, intrigas, alianças, rearranjos e cisões. Segundo a concepção do candomblé, quem governa um axé, um terreiro, é orixá do fundador daquela casa-de-santo. Na sucessão, acredita-se que é esse orixá quem escolhe a nova mãe ou novo pai e que sua vontade se manifesta por meio do jogo de búzios, numa cerimônia presidida por um sacerdote do oráculo, o oluô, que olha os búzios e interpreta a vontade do orixá, e que é especialmente convidado para tão delicada mediação. O povo-de-santo de outros terreiros joga então papel decisivo, pois são os demais terreiros que legitimam a sucessão.
A morte da mãe ou pai-de-santo abre sempre uma guerra sucessória. Na sucessão, é importante o critério da senioridade das candidatas, seu grau iniciático, seu nível de conhecimento sacerdotal. Mas isso não é suficiente. O resultado da escolha depende da tradição sucessória da casa, do jogo político das facções, pessoas e grupos que pleiteiam o trono da iyalorixá, da situação jurídica do terreiro, da sucessão civil sobre o espólio material, isto é, a propriedade imobiliária do terreiro, da posição, da posição assumida por possíveis herdeiros legais, que podem fazer parte ou não do grupo de culto etc. Em geral, as casas não sobrevivem ao seu fundador, exceto em meia dúzia de casos em que vários fatores confluíram no sentido de manter uma tradição publicamente atribuída e reconhecida pelo mundo fora do terreiro, como a mídia e a academia. Mas sempre haverá discordâncias, atritos, rupturas e provável formação de novas casas pelos dissidentes que se afastam. Tem sido assim desde que o candomblé é candomblé.
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