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Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e de criar o ser humano, o orixá tentou vários caminhos, tentou fazer o homem de ar, como ele, mas não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de madeira, mas a criatura ficou dura, fez de pedra, a tentativa foi pior, fez de fogo e o homem se consumiu, tentou de azeite, água e até vinho-de-palma e nada. Foi então que Nanã Burucu veio em seu socorro, apontou para o fundo do lago com seu Álibi, seu centro e arma, e de lá retirou uma porção de lama, dando a porção a Oxalá, o barro do fundo do lago onde morava ela. Oxalá criou o homem e o modelou no barro e com o sopro de Olorum ele caminhou, com a ajuda dos orixás povou a terra, até o dia em que o homem morre e seu corpo tem que retornar a terra, voltar a natureza de Nanã Burucu. Nanã deu a matéria no começo, mas quer de volta no final de tudo o que é seu.
Conta-se que Nanã teve dois filhos, Oxumaré era o filho belo e Omolú era o filho feio, Nanã o cobriu de palhas, para que ninguém o visse e zombasse dele. Oxumaré tinha a beleza do homem e tinha a beleza de todas as cores, Nanã o levantou bem alto para todos o admirassem sua beleza, pregou seu filho no céu com todas as suas cores e o deixou lá para encantar a terra para sempre e lá ficou a vista de todos. Pode ser admirado em todo seu esplendor de cores, sempre que a chuva traz o arco-íris.
Nanã era considerada uma grande justiceira, qualquer problema que ocorresse, todos a procuravam para ser a juíza das causas. Mas sua imparcialidade era duvidosa, os homens temiam a justiça de Nanã, pois se dizia que ela só castigava os homens e premiavam as mulheres. Ela tinha um jardim com um quarto para os eguns, que eram comandados por ela. Se alguma mulher reclamasse do marido, só depois Nanã o libertava.
Ogum foi reclamar a Ifá sobre o que ocorria, segundo Exú conhecido como bisbilhoteiro Nanã queria dizimar os homens, os orixás reunidos resolveram dar um amor a ela, para que se acalmasse e os deixassem em paz, os orixás enviaram Oxalufá nessa missão. A rivalidade entre Nanã Burucu e Ogum data de tempos, Ogum ferreiro e guerreiro, era proprietário de todos os metais, eram dele os instrumentos de ferro e aço, por isso, era tão considerado entre os orixás e dependiam dele todas as outras divindades. Sem a licença de Ogum não havia sacrifício e sem sacrifício não havia orixá Ogum Oluobé, senhor da faca. Todos os orixás o reverenciavam, antes de comer pediam licença a ele pelo o uso da faca, o obé com que se abatiam os animais e preparavam-se a comida.
Contrariada com essa preferência dada a Ogum , Nanã disse que não precisava mais de Ogum para nada, pois se julgava mais importante do que ele. “Quero ver como vais comer sem faca para matar os animais”, disse Ogum . Ela aceitou o desafio e nunca mais usou a faca, foi sua decisão que, no futuro, nenhum de seus seguidores se utilizaria objetos de metal para qualquer cerimônia em seu louvar, que os sacrifícios feitos a ela fossem sem o uso da faca, sem precisar da licença de Ogum .
Dia: Sábado
Comida: Ibirin
Cor: Azul claro
Saudação: Saluba |
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