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Obaluaê era um menino muito desobediente, um dia ele estava brincando perto de um lindo jardim repleto de pequenas flores brancas, sua mãe lhe havia dito que ele não deveria pisar nas flores, mas Obaluaê desobedeceu a sua mãe e pisou as flores de propósito. Ele não disse nada, mas quando se deu conta estava ficando com o corpo todo coberto por pequeninas flores branca, que foram se transformando em pústula, bolhas horríveis. Obaluaê ficou com muito medo e gritava pedindo a sua mãe que o livrasse daquela peste, a varíola. Sua mãe lhe disse que aquilo acontecera como castigo, por que ele havia sido desobediente, mas iria ajudá-lo, ela pegou um punhado de pipocas e jogou em seu corpo e como por encanto as feridas foram desaparecendo. Obaluaê saiu do jardim tão bom como quando havia entrado.
Quando Omolú era um menino de uns doze anos, saiu de casa e foi ao mundo para fazer sua vida, de cidade em cidade, de vila em vila, ele saiu oferecendo os seus serviços, procurando emprego, mas ele não conseguia nada, ninguém lhe dava o que fazer, ninguém o empregava e ele teve que pedir esmola, mas ao menino ninguém também não dava nada, nem do que comer e nem do que beber. Omolú tinha um cachorro que o acompanhava, somente os dois, retiraram-se no mato e foram viver com as cobras, ele comia o que a mata dava frutas, folhas e raízes, mas os espinhos da floresta o feriam, as picadas de mosquitos cobriam-lhe o corpo, ficou coberto de chagas e só o cachorro confortava ele, lambendo-lhe as feridas. Um dia quando dormia, Omolú escutou uma voz: “Estais pronto, levanta e vai cuidar do povo”, ele percebeu que todas as feridas estavam cicatrizadas, não tinha dores e nem febre. Obaluaê juntou as cabacinhas, os atós, onde guardava água e remédios, que aprendera a usar com a floresta, agradeceu a Olorum e partiu.
Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás, ele não podia entrar, devido a sua medonha aparência, então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum ao perceber a angústia do orixá, cobriu-o com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar aproveitando a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Inhansã tudo acompanhava com o rabo do olho, ela compreendia a triste situação de Omulú e dele se compadecia, ela esperou que Omolú estivesse bem no centro do barracão, oxirê estava animado, os orixás dançavam alegremente com suas equedes, Inhansã chegou bem perto dele e soprou suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam sua pestilência. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Obaluaê, o deus das doenças transformou-se num jovem belo e encantador. Obaluaê e Inhansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, compartilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.
Omolú foi salvo por Iemanjá quando sua mãe Nanã Burucu, ao vê-lo doente, coberto de chagas, purulento, o abandonou numa gruta perto da praia. Iemanjá recolheu Omolú e o lavou com a água do mar, o sal da água secou suas feridas, ele se tornou um homem vigoroso, mas ainda carregava as cicatrizes, as marcas da varíola. Iemanjá confeccionou para ele uma roupa toda de ráfia e com ela ele escondia as marcas de suas doenças. Ele era um homem poderoso, andava pelas aldeias e por onde passava deixava um rastro ora de cura, ora de saúde e ora de doença, mas continuava sendo pobre, Iemanjá não se conformava com a pobreza do filho adotivo, ela pensou: “Se eu dei a ele a cura, a saúde, não posso deixar que seja sempre um homem pobre”, ficou imaginando quais riquezas poderia dar a ele. Iemanjá era dona da pesca, tinha os peixes, os polvos, os caramujos, as conchas, os corais e tudo aquilo que dava vida ao oceano pertencia a sua mãe, Olocum.
Dia: Segunda Feira
Comida: Pipoca
Cor: Estampado
Saudação: Atotô Atotô |
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